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GAFFFF 2026: colaboração será chave para avanço da agricultura, diz Brook Cunningham

Executiva aponta geopolítica, clima, crédito e inteligência artificial como fatores que aumentam a complexidade da produção agrícola

15:02

Foto: Uagro
Foto: Uagro
O avanço da inteligência artificial, as mudanças nos padrões climáticos, o crédito mais restrito e as tensões geopolíticas estão tornando mais complexas as decisões tomadas no agronegócio. Nesse cenário, novas tecnologias continuarão importantes, mas precisarão estar acompanhadas de uma maior colaboração entre produtores, empresas e universidades para chegar efetivamente ao campo, avaliou Brook Cunningham, vice-presidente sênior e presidente para a Ásia-Pacífico da Corteva Agriscience.

A executiva abriu a programação de keynote speakers do Global Agribusiness Festival (GAFFFF 2026) nesta quinta-feira (1º), na capital paulista. O painel “Ecossistemas para a Prosperidade: Por que o Futuro da Agricultura Depende da Colaboração, Não Apenas da Inovação” teve moderação de Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, e contou também com a participação de Guilherme Scheffer, sócio-diretor da Scheffer.

Durante a apresentação, Cunningham defendeu que o setor precisa se preparar para um ambiente no qual diferentes fontes de pressão ocorrem ao mesmo tempo e tornam menos previsível a atividade agrícola.

“Na Ásia, nos Estados Unidos, no Oriente Médio e aqui no Brasil, eu ouvi produtores preocupados em fazer mais com menos [recursos], com possibilidade da próxima temporada ser mais complicada que a anterior. E todos eles perguntavam: ‘como continuamos avançando se tudo ao redor está mudando?’”, afirmou.

A resposta, na avaliação da executiva, não está apenas no lançamento de novos produtos ou ferramentas. O desafio é fazer com que as tecnologias possam ser compreendidas, adotadas e incorporadas à rotina dos produtores.

“Claro que a inovação importa, mas o chamado ‘novo normal’ exige mais que novos produtos e inovações na fazenda. Nada muda sozinho. Tudo se torna real depois que faz parte de um ecossistema em que o agricultor pode aprender e implementar no dia a dia”, disse.

Geopolítica entra na conta do produtor


Ao traçar o cenário enfrentado atualmente pela agricultura, Cunningham colocou no mesmo quadro os efeitos deixados pela pandemia, guerras, disputas geopolíticas, restrições de crédito, alterações climáticas e a rápida disseminação da inteligência artificial.

Essa combinação, segundo ela, também muda o conjunto de conhecimentos necessários para administrar uma propriedade. Além de compreender aspectos tradicionais da produção, como solo e clima, as novas gerações terão de acompanhar assuntos que estão distantes da porteira.

Durante sua fala, a executiva lembrou que disputas entre grandes economias envolvendo commodities repercutem sobre outros mercados e chegam ao Brasil, dando o exemplo da variação de preço da soja.

A questão também aparece no debate sobre sucessão familiar no campo. Durante a palestra, Cunningham questionou como o setor pode democratizar o acesso à informação, preparar os produtores para as próximas inovações e, ao mesmo tempo, conduzir a transição geracional nas propriedades.

Para ela, a pressão provocada por tantas mudanças simultâneas também pode abrir espaço para novas soluções. Ao falar sobre a capacidade de adaptação observada na agricultura brasileira, Cunningham recorreu a um jogo de palavras.

“Em português, na palavra crise, se tirar o ‘r’, vira ‘crie’. Podemos acreditar na crise, claro, mas podemos utilizar esse momento para criar algo novo. Isso é um grande exemplo da agricultura brasileira”, disse.

IA já chega às lavouras


Parte das transformações apontadas por Cunningham já está sendo colocada à prova nas propriedades. Guilherme Scheffer afirmou que a Scheffer aumentou os investimentos em inteligência artificial nos últimos dois anos e que a tecnologia já é utilizada em pelo menos 10% da área da empresa.

A inteligência artificial entra justamente na tentativa de interpretar esse volume de dados. Para Scheffer, a ferramenta ajuda a reduzir ruídos e a identificar com maior clareza o que está acontecendo nas plantações, adicionando novas camadas de informação à tomada de decisão.

O executivo ponderou, porém, que a troca de conhecimento não começou com a digitalização. De acordo com Guilherme, produtores já compartilham informações entre si e possuem interesse em conhecer experiências com novas tecnologias.

“O agro como um todo é um sistema que compartilha muita informação por natureza”, afirmou.

Para Scheffer, a tecnologia pode acelerar esse processo, mas a disposição para cooperar continua sendo determinante. “A gente tem que deixar o ego de lado e ver que, quando juntamos forças, temos um impacto muito maior.”

A discussão colocou a inteligência artificial como mais uma ferramenta em um ambiente que já produz um volume crescente de informações, mas também evidenciou um problema anterior à tecnologia: transformar conhecimento em decisões práticas. 

Na avaliação apresentada durante o painel, a capacidade de conectar quem desenvolve soluções, pesquisadores e produtores será uma das condições para que as inovações disponíveis se convertam em ganhos efetivos dentro das propriedades.

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